Caminhei apressadamente pelas ruas da cidade. Em minha companhia só a lua e o vento frio da noite. Mesmo assim meu coração disparava. Os sentidos alertas. Um cheio de podridão cobria o ar e algo me dizia que não era apenas os esgotos carregados de imundices humanas. Era algo muito pior.
Passei por uma praça movimentada. Um feixe de luz me atingiu. Um farol de carro? Ou seria outra coisa? Sentia cada fibra do meu corpo vibrar e um desejo enorme de chegar em casa. Provavelmente o único lugar seguro naquele momento. Uma corrente de ar mais frio que o normal me atingiu e olhei para o lado. Por um momento pensei divisar uma forma escura próxima a esquina, logo atrás de mim. Sem pensar duas vezes, corri.
Meus músculos queimavam e o ar faltava nos pulmões. As pernas quiseram fraquejar, mas eu corria. Não poderia parar, mesmo se quisesse. Meu corpo já não obedecia. Seguia por vontade própria, guiado pelo terror pelo que poderia acontecer se parasse.
Ao longe pude divisar a forma escura de minha casa. A lâmpada da rua estava apagada e isso não poderia ser um bom sinal. Temi por ser tarde de mais. Temi que já tivessem chegado a minha casa. Mas precisava entrar, precisava chegar até aquele maldito livro que deixei sobre a mesa. A causa de todos os males e, ironicamente, minha única proteção.
Entrei pela porta apressado. Quase sem conseguir abrir a porta. A chave tremendo, teimando em não entrar na fechadura. Senti o cheiro de perfume e limpeza que indicava que minha mulher estava em casa. Mas não podia me distrair. Ou seria tarde de mais.
Corri pela sala em direção à biblioteca. Um cômodo abarrotado de livros onde eu gastava horas do meu dia mergulhando em conhecimentos antigos em busca de iluminação. Ah, se eu soubesse o que me aguardava entre as páginas amareladas daqueles livros.
O livro! Lá estava ele, mofado e maltrapilho, sobre a mesa de estudos. As páginas abertas com semi-anotações pelos cantos. Segurei aquela coisa profana entre as mão trêmulas e senti um calafrio ao pensar em tudo que ele continha e no mal que poderia causar. Senti vontade de joga-lo na lareira, mas não podia. Não naquele momento. Não antes de um último feitiço, um último canto.
Vasculhei apressado as páginas quebradiças em busca do feitiço. Sentia a poeira das páginas invadindo meus pulmões e irritando a garganta. Desviava os olhos a cada figura ou título que aparecia, minha mente se recusando a reconhece-los após descobrir que tudo aquilo não era apenas um sonho de um louco árabe.
Mas eu estava atrasado. Antes que pudesse encontrar o que procurava senti aquele fedor invadindo a casa. Um som borbulhante e irregular me veio aos ouvidos e estremeci de pavor. Olhei para a porta e deixei cair o livro. Era tarde de mais. Ali, na minha frente estava a morte, talvez algo pior. Uma forma escura e irregular, no contra-luz do corredor, se arrastava em minha direção. Pequenos objetos esféricos flutuavam na massa disforme e refletiam a luz vinda da sala. Olhos! Centenas de olhos espalhados por uma massa pungente e profana me fitando. Tentei me afastar, tateando no escuro. Mas nada havia a minha volta. A sala havia desaparecido, o mundo fugira. Deixando-me só com aquela monstruosidade nascida de pesadelo. Só no escuro com algo que não deveria existir. Senti minha visão turvar. Minhas pernas fraquejarem e o chão sumir sob meus pés.
Diante do horror estremo, desmaiei...
Perdido...
Sozinho...
No vazio eterno...
Só eu e a morte...
Ou algo pior...
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
NPC da Semana | Letícia de Sousa
Estou começando um verdadeiro desafio a minha criatividade. Postar um NPC (Personagem do Mestre) por dia toda segunda feira.
Antigamente, quando ainda mestrava campanhas de 3D&T, eu tinha um caderno com mais de 300 personagens nativos de Arton. Pois bem, veremos se ainda sou capaz de criar (ou lembrar) uma boa quantidade de personagens.
Sempre que crio um personagem costumo pensar bastante sobre seu passado e personalidade. E, geralmente, vinculo logo ele a um sistema específico. Sendo assim, colocarei a ficha de todos os personagens aqui apresentados. Porém, eles podem ser utilizados em qualquer sistema, com as devidas modificações por parte do mestre.
Espero que lhes seja útil =}A personagem a seguir foi criada para a campanha de Call of Cthulhu que da nome a este blog e utiliza o sistema Gunshoe do Rastro de Cthulhu.
Letícia de Souza
Pouco mais de 30 anos, solteira, católica praticante e apaixonada pela cidade de Sobral.
Letícia nasceu e cresceu em Sobral e, desde cedo, adquiriu um gosto especial pela cultura local, em especial, pela genealogia sobralense. Sendo a segunda filha em uma família com seis crianças, acostumou-se a cuidar dos outros e a não reter muita atenção pra si. Muito dedicada e estudiosa, aprendeu diversos idiomas, dentre eles latin e aramaico. Teve dois livros publicados, razoavelmente populares na região.
Gosta de correr todo dia pela manhã, quando pode passear pelas ruas da cidade admirando a arquitetura e colhendo pequenos causos que usa em seus livros.
Campanha: Ajudou o professor Luis Feitosa a investigar as obras encontradas no subsolo do teatro São João. Após a chegada da calamidade, acaba sendo procurada pelo grupo de investigadores para partilhar seu conhecimento sobre as obras. Adquire certa afinidade com os PJs e passa a oferecer constante ajuda ao grupo, seja com informações sobre a história da cidade, seja ajudando-os a esquecer os horrores que encontram.
Ocupação: Pesquisadora
Motivação: Curiosidade
Pilares Sanidade: Acredita dignidade humana, ama Sobral e possui uma forte crença em seu Deus.
Habilidades: *Burocracia 2, *Idiomas 3, *Usar Biblioteca 3, *Avaliar Honestidade 4, *História 4, *Arqueologia 2, *Criptografia 4, Coletar Evidências 2, Teologia 2, Bajulação 2, História Oral 2, Primeiros Socorros 5, Atletismo 8, Condução 4, Sentir Perigo 6, Precaução 5, Fuga 10, Furtividade 8, Psicanálise 8,
Estabilidade: 6
Sanidade: 10
Vitalidade: 6
Crédito: 3
Limiar de Acerto: 4
Sobral of Darkness - Apresentação...
Sobral of Darkness é mais um blog criado por Dom Lobo.
Desta vez o objetivo é manter um registro online de minhas aventuras de RPG.
Postarei aqui relatos de campanhas, pequenos contos, ideias para aventuras, fichas de NPCs, modelos de Props e Handouts, dentre outros.
Os sistemas empregados serão diversos.
Pórem, meus predilétos são Rastro de Cthulhu (GUNSHOE) e Call of Cthulhu D20 (d20 modern), ambos ambientações para histórias investigativas envolvendo os horrores dos contos de HP Lovecraft (os chamados Mythos de Cthulhu).
Assinar:
Postagens (Atom)
